Main

 
Aparições da Virgem Maria no Sec. XX - As Aparições são ao menos Possíveis?

As Aparições são ao menos Possíveis?

The Transfiguration of Jesus

"Acontecerá nos últimos dias", diz Deus, "que derramarei meu Espírito sobre toda criatura humana. Vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os jovens terão visões e os velhos terão sonhos."

Atos dos Apóstolos 2,17


Vivemos num mundo que se orgulha de sua capacidade de descrever e entender o desconhecido e de planejar para o futuro pelo uso da razão. Aceitamos prontamente explicações que nos pareçam razoáveis, assim como descartamos prontamente relatos de eventos que não soem como razoáveis. Como resultado desta predisposição, muitos têm dúvidas até mesmo quanto a contemplar a simples possibilidade de ocorrência de aparições místicas da Mãe de Jesus, ao fim do século XX. As aparições e os fenômenos que cercam algumas delas desafiam tudo quanto nos tem sido ensinado e tudo quanto observamos no dia-a-dia das nossas vidas.

Essa dispropensão em aceitarmos o "irrazoável" funda-se em parte numa descrição da realidade que começou a emergir nos sécs. XVI e XVII, com as obras de Newton, Kepler, Leibnitz e outros. A metodologia experimental e a Matemática, empregadas para alcançar-se uma descrição mais precisa da realidade, tornaram-se dominantes no pensamento ocidental, deslocando a percepção da humanidade do modelo ptolomaico do universo e do nosso papel dentro dele. Esses avanços foram reforçados pelo sucesso que seu modelo paradigmático alcançou na descrição de fenômenos facilmente perceptíveis. Ainda hoje, é uma concepção comum a de que o "mundo real" opera conforme o paradigma newtoniano... um mundo de regularidades e previsibilidade quase mecânicas, uma vez desvendadas as variáveis que o afetam.

Os que acreditam nesse modelo entendem que à ciência moderna basta adquirir mais informação para descobrir como tudo funciona e opera. Quando tal conhecimento for alcançado, a humanidade tornar-se-á verdadeiramente "senhora" de todo o universo. Esta abordagem encontra-se subjacente a certos sistemas modernos de crenças, tais como os livres-pensadores, o naturalismo e o humanismo secular. Em todos eles, ocorrências incomuns, como aparições, são entendidos como ilusões, projeções do desejo do místico, fanatismo, ou simplesmente uma faceta da realidade que ainda não aprendemos a dominar.

A fim contextualizarmos as aparições, é essencial entendermos mais a respeito do nível atual de conhecimento da natureza da realidade física. Felizmente, muito tem sido descoberto a respeito da natureza da realidade física, utilizando-se métodos científicos modernos, uma metodologia que foi desenvolvida nos últimos trezentos anos, para explicar o mundo físico no qual nos encontramos. A matemática - linguagem que os pesquisadores utilizam para descrever e teorizar suas descobertas - fez também consideráveis avanços nesse tempo. Na década de 1930, num evento intelectual que marcou o século, um brilhante matemático austríaco, Kurt Godel, demonstrou inequivocamente que a Matemática não pode discernir a verdade, mas apenas lidar com a natureza subjacente da prova. Em poucas palavras, Godel demonstrou que para toda formalização consistente da Aritmética, há verdades matemáticas que não são passíveis de prova no sistema formal. Todo sistema de prova matemática funda-se inevitavelmente em pressupostos que não podem ser provados. Assim, o salto da prova à verdade precisa fundar-se, em última instância, na crença, e jamais pode ser inquestionavelmente demonstrado.

Mecânica Quântica

Enquanto Godel publicava seus achados sobre a natureza da prova, outro matemático, John von Neumann, dava os retoques finais a uma formulação matemática concisa da descrição fisicista da realidade física, que se havia desenvolvido no início do século. Essa teoria, chamada Mecânica Quântica, sustentava que fenômenos atômicos podem ser melhor descritos como um estado complementar de ondas e matéria. Dependendo do que o observador desejava medir, o evento examinado podia ser descrito ou como uma onda (como uma onda de rádio) ou uma partícula subatômica (como um elétron). Depende apenas do observador independente coligir todos os resultados possíveis (descritos matematicamente como a função ondulatória) para medir o evento observado.

Após formalizar esta teoria física, von Neumann levou-a um passo à frente e demonstrou que, desde que o universo mesmo consiste de um número enorme de funções ondulatórias, ele mesmo deve ser um sistema mecânico quântico, à espera de um observador independente para coligir suas funções ondulatórias.

A teoria quântica, bem como os desenvolvimentos tecnológicos dela derivados, é responsável por virtualmente todas as maravilhas modernas que definem nossa sociedade pós-industrial. Computadores, rádios, TVs e tudo quanto utiliza a tecnologia de semicondutores - tudo depende completamente dos efeitos descritos com precisão pela Mecânica Quântica. A despeito de suas características estranhas e "irrazoáveis", a Mecânica Quântica tem sido testada com sucesso de várias maneiras nos últimos sessenta anos. E mais, em experimentos levados a cabo nos anos 70 e 80, os pesquisadores determinaram que o ato de observar um elemento de um sistema quântico determina instantaneamente o resultado de outros elementos do sistema, a despeito de quão longe se encontre o outro elemento do sistema. Assim, à parte da complementaridade inerente à natureza atômica da realidade, uma outra - dos atributos fundamentais da realidade física, confirmada por esses experimentos - aparenta ser sua natureza não-local.

Enquanto há várias possíveis descrições do universo que tentam capturar todas as implicações destes resultados experimentais, só duas delas parecem resistir a uma avaliação rigorosa e assegurar aceitação ou "convicção"; ou de fato existe um observador externo, consciente, independente, separado do próprio universo, ou deve haver um número infinito de universos, criado pela consciência de cada observador.

Posto de outro modo, ou há um Deus cuja existência independe do universo físico, ou cada de nós tem que se tornar o criador de nosso próprio universo - cada Ego se torna um deus. A Ciência não pode nos levar mais longe. Realmente, com base no caráter matemático subjacente à verdade científica, a natureza fundamental da realidade nunca pode ser em última instância demonstrada. A aplicação sistemática da razão requer de nós escolhermos em qual tipo de realidade nós desejamos acreditar.

Teoria da Seleção Natural

Mecânica Quântica não é a única área de investigação científica moderna que parece apontar para um Ser para além do universo. Vários contemplados com o prêmio Nobel aprofundaram-se na teoria biológica da seleção natural e a acharam desejável. Esta teoria, conhecida como a Teoria da Evolução de Darwin, faz duas reivindicações básicas: o material genético está continuamente sujeito a variações acidentais e, quando estas variações são favoráveis à sobrevivência genética, essas variações têm maior probabilidade de prosperar e continuar como parte do genoma. O efeito de utilidade de funções genéticas específicas pode ser alterado por uso ou desuso pelo organismo.

Pensava-se que a fonte da variação estaria referida a radiação eletromagnética ou térmica externa naturais, que operam em escalas geológicas de tempo. Um exame mais próximo revelou que nenhum destes mecanismos parece ser adequado para ensejar o grau de diferenciação das espécies que existem no mundo. A teoria de evolução é melhor analisada a partir de uma aproximação estatística, uma vez que é, em seu coração, uma teoria estatística.

A Teoria de Evolução foi reenunciada por T.H. Huxley em 1860, para torná-la mais compreensível para o cidadão britânico comum. Huxley disse que se se pusessem seis macacos a bater ininteligentemente em máquinas de escrever por milhões e milhões de anos, eles eventualmente escreveriam todos os livros contidos no Museu Britânico.

O que Huxley demonstrou (e por inferência, o coração da Teoria da Evolução) com esta declaração foi sua falta de familiaridade com as estatísticas envolvidas. Na ocasião em que ele fez a declaração dos macacos, havia aproximadamente 700.000 livros no Museu Britânico, que cumulavam para aproximadamente 10^10 linhas datilografadas (o número 10^10 representa um 10 seguido por 10 zeros, ou cem bilhões). Pode ser demonstrado estatisticamente que quaisquer 50 linhas de caráter tipográfico podem ser organizadas de 8.5 x 10^49 modos diferentes, depois de ajustadas para redações idênticas, segundo ocorre periodicamente na moderna estrutura de palavras em Inglês. Assim, a probabilidade de digitar-se fortuitamente uma linha de texto de quaisquer dos livros é de 1 em 8.6 x 10^39 tentativas. Se os macacos de Huxley conseguissem viver tanto quanto a existência do universo, eles poderiam chegar talvez a digitar 10^18 linhas. Para reproduzir-se fortuitamente apenas uma linha de texto de algum livro, eles precisariam de uns 10^23 macacos datilógrafos adicionais, vivendo tanto quanto o universo existisse. Huxley (e, por inferência, a teoria da Seleção Natural) estava e está incorreto em pelo menos um fator de dez bilhões!!

Traduzindo este tipo de análise, a Biologia moderna cria um problema ainda maior para a convicção ortodoxa na Seleção Natural. Reproduzir uma molécula de hemoglobina por um processo fortuito envolveria 10^500 possibilidades diferentes, das quais apenas uma é hemoglobina! Criar um tipo específico de DNA para uma bactéria requereria 10^78000 (isso é o número 10 seguido por 78.000 zeros!!) combinações diferentes. O Professor Harold Morowitz, um cientista universitário de Yale, apresentou computações do tempo necessário para criar uma simples bactéria a partir de reações de substância química fortuitas encontradas no começo do universo. Ele concluiu que o tempo necessário para realizar isso excederia a idade do universo. Os resultados dele foram publicados, nunca desafiados com sucesso, e ainda assim, foram totalmente ignorados pela maioria dos biólogos. Desde que o universo só tem aproximadamente 10^27 nano-segundos de existência, é virtualmente impossível para uma hemoglobina ou molécula de DNA ou uma bactéria simples haver acontecido só por casualidade - parece, pois, que elas teriam necessariamente que ter sido criadas deliberadamente. A vida não poderia ter evoluído puramente por casualidade!! Talvez tenhamos que admitir que o observador independente, a Causa Incausada, tenha criado a vida a partir de sua vontade.

Vários cientistas chegaram a uma conclusão semelhante a este respeito, mas mostraram-se pouco dispostos a conceder a base de vida à Causa Incausada. Ao invés, eles acreditam que existe um Logos, um tipo de programa de software não-físico, que ordena e dirige o universo material (hardware). Mais, até mesmo geneticistas que aceitam inequivocamente a moderna teoria da evolução notam que há direcionamentos definidos na ordenação fortuita de realidade física. Eles advogam agora um tipo de evolução descontínua, em que mecanismos de seleção natural provêm diversidade para as espécie particulares, e algum tipo de cataclisma intervém para gerar tipos diferentes de espécies. Esta aproximação para justificar a diversidade de espécies é um tipo de teoria quântica biológica.

Mais recentemente, vários investigadores testaram o mecanismo de seleção fortuita sobre um organismo complexo, - neste caso um tipo de girassol -, para determinar se uma forma particular desta planta sempre evoluiria de forma diferente de seus predecessores ou se, como Stephen Jay Gould, um popularizador de teoria da seleção fortuita, declarou, "rebobinar a fita de vida" sempre produziria produtos evolutivos diferentes. A pesquisa, publicada na revista Science (Vol 272, de 3 de maio de 1996, p.700), concluiu que a sucessão de mudanças evolutivas é largamente repetível, tanto a longo quanto a curto prazo. Posto de outro modo, quando a fita de vida é rebobinada, joga o mesmo programa inúmeras vezes. Pelo menos para este gênero de planta, a evolução não pode ter resultado de seleção randômica. A criação das plantas parece ter sido dirigida.

Religião e Ciência

Este exame da natureza com base em investigação exclusivamente experimental e teórica leva-nos de volta a Galileu e o "estado de guerra" que a perspectiva por ele levantada gerou entre a Ciência e a Religião. A mitologia moderna sustenta que Galileu foi forçado pela Inquisição a retratar-se de sua descoberta de que a Terra se move, uma descoberta baseada na observação astronômica das luas de Júpiter. A razão mítica dada para tal retratação foi a oposição pretendida da Igreja a qualquer teoria que desafiasse a Bíblia. Esta razão não resiste a um exame mais profundo. A descoberta de Galileu era importante, pois confirmou as teorias de Nicolau Copérnico, que, em 1541, propôs que a Terra girava em seu eixo e em torno do Sol, junto com os outros planetas. Seu trabalho, De Revolutionibus Orbium Caelestium, foi publicado com o apoio da Igreja católica - um fato que ele reconheceu por sua dedicatória ao Papa Paulo III. Infelizmente, um discípulo de Martinho Lutero - Andreas Osiander - escreveu um preâmbulo ao trabalho que assegurava que o movimento da Terra só foi assumido para propósitos de cálculo. Não seria considerado como real movimento. Este preâmbulo foi necessário para apoiar a então prevalente descrição ptolomaica da realidade. O trabalho feito por "filósofos" naturais como Copérnico foi visto como um tipo de investigação que ajudava a coordenar e organizar observações do mundo físico, mas tinha pouco a ver com a natureza subjacente da realidade. Astrônomos medievais empregaram teorias como estas para ajudar a equacionar a ocorrência de eventos astronômicos particulares. Eles não fizeram nenhuma conexão entre o equacionamento e a realidade subjacente que o equacionamento parecia descrever.

Apesar do preâmbulo de Osiander, a teoria copernicana tornou-se a descrição geralmente aceita do movimento da Terra e foi adotada como o melhor modelo disponível para computarem-se calendários pelas universidades católicas da época. Aproximadamente setenta anos depois, quando Galileu - que tinha observado a superfície áspera da Lua, as luas de Júpiter e as fases de Vênus - apresentou estas observações e as suas conclusões quanto às suas implicações orbitais aos astrônomos jesuítas do Collegio Romano, ele recebeu altos elogios. Ele foi honrado pelo Collegio e foi recebido pelo Papa Paulo V. Galileu foi aconselhado pelo Cardeal Bellarmine, um dos conselheiros-teólogos chaves do Papa, a expressar suas visões como teoria e não como fato, uma vez que a Igreja não poderia concordar com a totalidade de suas conclusões.

Galileu estava impossibilitado de desenvolver um mecanismo que explicasse suas observações sistematicamente. Além disso, várias autoridades da Igreja eram aristotélicas, confiando que as teorias filosóficas de potência e movimento eram suficientes para descrever a realidade adequadamente. Este preconceito criou um impedimento adicional para a aceitação das suas explicações.

Galileu acabou por concordar em limitar suas explicações; mas alguns anos depois, recomeçou a expor suas conjeturas como fatos demonstrados por sua teoria das marés. Vários cientistas "proeminentes" de seu tempo, inclusive João Kepler, discordaram do mecanismo das marés descrito por Galileu. Por cima, influentes membros da Igreja não encararam com bons olhos o desrespeito a um acordo papal de modo tão flagrante e público, e decidiram confrontar Galileu.

A Igreja cometeu um erro aproximadamente cinco anos depois, quando condenou os achados de Galileu como "falsos e totalmente opostos à Escritura", apesar de que não havia nenhuma base tangível para tal decisão. Santo Agostinho, um dos primeiros Padres da Igreja, escreveu: "A pessoa não lê no Evangelho que o Senhor disse: 'Eu lhe enviarei o Paráclito, que lhe ensinará sobre o curso do Sol e da Lua. Porque Ele os fará cristãos, não matemáticos'.". Assim, institucionalmente, a Igreja deveria ter-se mantido desinteressada das descobertas de Galileu.

Infelizmente, os Cardeais que forçaram esta decisão estavam defendendo uma visão ptolomaica do mundo, de fato antiquada, uma visão geocêntrica de Cosmos, que exigia que os corpos celestes rotassem em torno da Terra, em combinações de círculos perfeitos, chamados epiciclos. Esta atitude defensiva, combinada aos contínuos ataques de Galileu à interpretação das Escrituras - uma área em que ele se recusou a se render à autoridade da Igreja - levou-o ao seu primeiro "julgamento". Um dos amigos dele, o Arcebispo Dini, aconselhou-o a que escrevesse livremente apenas sobre o que ficava fora da sacristia. Ele se recusou a assim proceder, preferindo proclamar por toda a Europa suas teorias como fatos e criando sua própria forma dele de exegese bíblica. Esta recusa em conformar-se aos acordos ele tinha celebrado previamente foi que em última instância o conduziu ao ostracismo pela Igreja.

Foi a culminação destes enganos e a obstinação - tanto de Galileu como das autoridades da Igreja - que criaram um espírito de desconfiança e hostilidade entre Religião e Ciência, que persiste hoje mais fortemente do que ao tempo de Galileu. Se não tivesse havido este equívoco, talvez Ciência e Fé tivessem se aceitado mutuamente melhor.

Escolástica Tomista e Mecânica Quântica

Com esse esboço de fundo, talvez seja agora possível formular uma aproximação mais completa para a compreensão da realidade, retornando ao tipo de escolástica defendida por S.Tomás Aquino. Aquino acreditou que as verdades de fé e a experiência sensível são completamente compatíveis. Assim, a Escolástica Tomista integrou revelação, razão e análise sistemática, numa tentativa de descrever mais adequadamente a realidade. Infelizmente, a Escolástica daquele tempo era totalmente dependente dos trabalhos de Aristóteles para a descrição de eventos físicos. Dessa perspectiva, Aristóteles reinava sobre o mundo sensível como os Evangelhos sobre o sobrenatural.

Era esta fixação na Escolástica, e as conseqüentes tentativas de denegrir evidências experimentais contestadoras que deram a esta disciplina uma má reputação. Não precisaria ter sido deste modo. Se os escolásticos tivessem adotado testes de hipótese experimental como um método válido para revelar as características subjacentes da realidade física, então sua aproximação no sentido de integrar toda a realidade poderia ter resistido ao teste do tempo.

De maneira interessante, quando Mortimer Adler, um filósofo moderno, esboçou a descrição de Tomás de Aquino do movimento instantâneo dos anjos (eles saltariam de local a local) para Neils Bohr, um dos maiores físicos teóricos de todos os tempos, Bohr ficou surpreendido e disse: "Isso é exatamente o cerne da teoria quântica moderna. Assim um teólogo do séc. XIII descobriu um dos princípios básicos de Física Nuclear moderna, há setecentos anos atrás! ". A Escolástica Tomista claramente teve e definitivamente tem o potencial para melhorar dramaticamente nosso entendimento global de toda a realidade.

Uma mudança de enfoque, da total dependência atual do método científico para avaliar quase tudo para uma aproximação que incorpora uma visão mais abrangente de toda a realidade, requereria uma mudança importante em como nós vemos a existência. Requereria que o método científico fosse configurado num paradigma que reconhecesse o papel da revelação Divina em assuntos não-físicos e consideração obrigatória ao papel de Deus em tudo o que existe. Requereria obviamente uma grande infusão de fé - uma abertura para aceitar o "irrazoável".

Mesmo utilizando-se a descrição limitada da realidade a partir dos métodos científicos modernos disponíveis para examinarem-se fenômenos improváveis, como aparições, não seria desarrazoado aceitar-se um fenômeno criado por uma Consciência Última, desde que aquela consciência tenha causado o universo, inclusive humanidade, levado-os a ser. Considere-se que a Mecânica Quântica permite, entre outros fenômenos estranhos, que partículas "atravessem" a matéria, num processo chamado "tunneling"; este explica a possibilidade de comunicação "instantânea" entre duas partículas quânticas, não importa quão distantes elas possam estar entre si; e a Teoria de Relatividade, desenvolvida por Albert Einstein, estabelece a existência de "portais de tempo" e "sorvedouros de luz" junto a áreas de alta densidade de matéria - uma entidade astrofísica chamada "buraco negro". Nesta descrição da realidade, o aparecimento da mãe de Jesus para selecionar místicos deveria parecer apenas um pouco prosaico.

Por outro lado, um universo individualmente criado é mais problemático, uma vez que exige que o observador crie uma realidade física concorde à Mecânica Quântica sem entender seu funcionamento e requer um criador que voluntária e conscientemente cria males como guerra, peste, agonia, ódio e toda a miséria humana. Pareceria requerer uma forte dose de masoquismo para que isto faça sentido.

Resultados Experimentais

A esta altura, já podemos admitir ser agora provável que as aparições não são proibidas segundo a nossa moderna compreensão da realidade; mas a validade de sua real ocorrência merece ainda ser examinada. Durante a última década, realizaram-se várias experiências expondo-se sujeitos humanos a radiação eletromagnética de intensidade relativamente baixa, de freqüência ultra-baixa (ULF). A estrutura do campo de ULF foi projetada de forma a operar nas mesmas freqüências que o cérebro humano, grosso-modo entre um e quarenta e cinco hertz. Nessas experiências, os sujeitos informaram "estar vendo" formas humanas estranhas e relataram sentimentos de desconforto quando a estrutura complexa das transmissões de ULF foi afinada adequadamente.

Intrigantemente, pesquisadores em vários locais de aparição constataram aumentos significativos na gradação do campo eletrostático local, da ordem de cinqüenta mil volts, durante o curso de aparições. A gradação volvia a seu nível de fundo normal, quando a aparição terminava. Infelizmente, não houve bastantes medições levadas a efeito, para averiguar-se sem dúvidas se este era um verdadeiro fenômeno medido, ou uma mera quimera ensejada por alguma combinação fortuita de fatores. Todavia, é possível que estes fenômenos possam ser uma manifestação externa, mensurável, de um evento de aparição em pelo menos alguns dos casos informados.

Uma vez que todos os videntes em casos merecedores de exame adicional relataram que suas experiências iniciais aconteceram como uma surpresa completa, pode ser que a fonte destas experiências estivesse usando manipulação do campo natural de ULF para permitir comunicação com indivíduos seletos. Assim, um possível mecanismo para algumas aparições pode ter sido encontrado. Mas se este método pode ajudar a explicar como a informação é transmitida, não explica contudo o conteúdo das mensagens, as curas espontâneas, os sóis girando e as roupas molhadas que são de repente secas - todos eventos que foram observados em alguns locais de aparições presumíveis. Mais ainda, até mesmo se estes eventos fossem aceitos como acreditáveis pelo cético, uma pergunta final precisa ser respondida - quem está se comunicando e o que está nos dizendo? Apenas a avaliação da mensagem transmitida durante a aparição pode permitir-nos discernir a natureza da fonte destes eventos.

Implicações das Aparições

Enquanto experimentos e teses como esses podem ser interessantes, eles realmente têm qualquer relevância sobre como nós vivemos nossas vidas? A melhor resposta para esta pergunta pode vir de um laureado Nobel em Medicina que foi pioneiro em transplantes de órgãos em animais, cirurgia vascular em seres humanos e uma variedade de outras inovações. O nome dele é Alexis Carrel e ele morreu em 1944. Ele foi um agnóstico resoluto até os últimos anos de vida, quando tornou-se um católico devoto. O que precipitou a conversão dele foi uma cura médica surpreendente que ele observou pessoalmente quarenta anos antes.

Ele testemunhou a cura inexplicável de um "caso terminal" de peritonite tuberculosa numa jovem de 23 anos, cujo caso médico havia sido avaliado em detalhe por vários dos melhores médicos da França. Ela teve que ser medicada com morfina por um amigo, para permitir-lhe viajar de trem a Lourdes, local de uma aparição Mariana na década de 1850. Ela chegou a Lourdes em estado de torpor e foi hospitalizada imediatamente, porque os médicos pensaram que ela morreria logo. Na manhã seguinte, contra todo conselho médico, ela foi levada de maca para a gruta de Massabielle. Lá, ela foi lavada três vezes com as águas da fonte de Lourdes.

Iniciou-se uma recuperação espetacular: seis horas após ser lavada nas águas onde Maria prometera a Bernadette que Deus ali curaria a muitos, ela estava se sentando, conversando, comendo e retendo o alimento - coisas que ela não tinha podido fazer por mais de cinco meses. Dois dias depois, ela retornou a Lyon de trem, sem necessidade de nenhuma ajuda. Em seis meses ela foi declarada totalmente curada. Ela se tornou uma Irmã de Caridade, resistindo aos rigores da vida religiosa durante trinta anos, sem qualquer sintoma físico, fora os da velhice, quando esta chegou.

Carrel testemunhou todos os eventos ocorridos em Lourdes pessoalmente (foi o único laureado Nobel a fazê-lo) e escreveu sobre isto em "A Viagem para Lourdes". Em uma carta ao diretor do Hospital de Lourdes, ele o louvou por operar uma clínica onde "tumores desaparecem, o cego vê, o aleijado caminha". Trata-se da admissão de um observador objetivo quanto a que algum agente sobrenatural produziu curas que estavam e continuam estando bem além das faculdades e medicamentos daquele tempo e até mesmo da Medicina moderna.

A conversão dele aponta para a conclusão sobre a natureza última da realidade por ele alcançada - Maria, mensageira enviada por Deus, tinha deixado para todos nós uma pequena lembrança do poder e do amor d'Ele por nós, e a sua contínua preocupação pelo nosso bem-estar, nas águas de Lourdes.

Outro exemplo dos efeitos extraordinários das aparições de Maria é a história da cura, em 1989, de Marion Carroll, uma mulher irlandesa que tinha esclerose (MS) múltipla desde o início de sua vida adulta. Ela ficou paralisada da cintura para baixo e era duplamente incontinente. Apesar da relutância dela, seus amigos e a família persuadiram-na a ir a Knock, Irlanda, local de uma aparição Mariana em 1879. Ela foi levada em uma maca, de ambulância, para a basílica de Knock, onde haviam aparecido Maria, São José e São João. Quando ela foi colocada aos pés de uma estátua de Nossa Senhora de Knock, ela rezou, não por sua cura, mas por seus dois filhos, com quem se preocupava. Ela ouviu uma voz, como que um sussurro, que lhe disse para se levantar e dobrar sua maca. Ela decidiu ignorar o comando sussurrado, pensando que sua imaginação estava lhe pregando peças. Enquanto esperava pela ambulância para retornar à sua casa, ela ouviu uma voz suave novamente dizer-lhe que se levantasse e andasse. Ela pediu finalmente a uma enfermeira que a assistia se poderia tentar caminhar. Depois de dezessete anos de MS, três de que paralisia total abaixo da cintura, ela estendeu as pernas, sustentou a cabeça, levantou-se e caminhou! Os médicos que a examinaram logo após seu retorno para casa declararam que os músculos dela estavam em perfeita condição, como se ela nunca tivesse tido esclerose múltipla. Ela é considerada agora completamente curada da doença. Mais tarde, em 1991, ela visitou Medjugorje, outro local de aparições Marianas. Desde então, ela adquiriu o dom de ajudar na cura de outros.

Qual definição de realidade é mais apropriada: a que faz cada de nós nosso próprio pequeno deus, ou a em que um Deus transcendente é pessoalmente envolvido com cada de nós e nos envia curas espontâneas, prodígios físicos e aparições de Maria? Você decide.

É muito interessante que uma decisão semelhante teve que ser enfrentada há muito tempo atrás por nossos antepassados. No Jardim do Éden, Eva foi tentada por Satanás. Satanás, simbolizado pela serpente, usou a árvore do conhecimento do Bem e do Mal para tentar Eva a desobedecer a Deus. Satanás disse, "Não, não morrereis; é que Deus sabe que no dia em que dela comerdes, vossos olhos se abrirão e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal". (Gen 3,5). Eva foi levada a acreditar que poderia tornar-se divina, tal qual Deus; ela e o marido dela sucumbiram ao engodo de Satanás e puseram toda a humanidade em estado de insubordinação a seu Criador. Uma vez mais, nós somos tentados pelo Príncipe da Mentira a nos tornarmos deuses como Deus. A decisão é nossa. As repercussões desta decisão são enormes.




Para retornar ao Menu, aperte aqui.



Última atualização 22/05/96.

Autor: Bryan Walsh Tradução para o Português: Sílvia Maria Noel-Morgan.